Giotto, por Proust

Caridade

Mais um trecho do Proust, agora sobre estas obras de Giotto:

“Por uma grande invenção do pintor, ela [a Caridade] calca aos pés os tesouros da terra, como se pisasse uvas para lhes extrair o suco, ou antes, como se houvesse trepado em sacos para se erguer mais; e estende a Deus o coração inflamado, ou dizendo melhor, ela o ‘passa”, como uma cozinheira passa um saca-rolhas pelo respiradouro de seu subsolo a alguém que o pede da janela do andar térreo. Quanto à Inveja, já ostentava mais fisionomia de inveja. Mas ainda nesse afresco, o símbolo ocupa tanto espaço e é representado de modo tão real, tão grossa é a serpente que silva nos lábios da Inveja, enchendo-lhe tão completamente a grande boca aberta, que os músculos de seu rosto estão distensos para poder contê-la, como os de uma criança que enche um balão soprando, e a atenção da Inveja – e também a nossa – concentrada de todo na ação de seus lábios, quase não tem tempo de se ocupar com pensamentos invejosos.” (p.78)

Inveja

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