De Clark para Mondrian

Você hoje está mais vivo para mim que todas as pessoas que me compreendem, até um certo ponto. Sabe por quê? Veja só se tenho razão ou não. Você já sabe do grupo neoconcreto, você já sabe que eu continuo o seu problema, que é penoso (…). No momento em que o grupo foi formado havia uma identificação profunda, a meu ver. Era a tomada de consciência de um tempo-espaço, realidade nova, universal como expressão, pois abrangia poesia, escultura, teatro, gravura e pintura. Até prosa, Mondrian… Hoje a maioria dos elementos do grupo se esquecem desta afinidade (o mais importante) e querem imprimir um sentido menor a ele, quando preferem que ele cresça sem esta identidade para mim imprescindível, numa tentativa de dar continuidade superficial a este movimento. (In: FERREIRA, G. e COTRIM, C. Escritos de artistas – anos 60/70. Rio de Janeiro: Zahar, 2009, p.48)

O trecho acima foi retirado do diário de Lygia Clark, numa passagem onde ela dirige uma carta imaginária a Mondrian. Suas reflexões me confirmam a ideia de que há algo muito errado com esse tipo de arte que apenas continua o que se firmou com aplausos – sem que haja motivações intrínsecas que justifiquem a sua existência. Lygia Clark, com todo o seu talento, não merecia os supostos “seguidores” que hoje se apóiam em sua influência, para desgastar uma proposta que nasceu tão interessante (mas alguém se lembra?).

Lygia Clark. Obra da série “Bichos”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s