Ainda Katherine Mansfield

Com mais estes fragmentos dos Diários e cartas hoje dou por encerrada minha “fase KM” – ao menos por enquanto. Vejam se estas reflexões não são completamente válidas (e, abaixo, viajem um pouquinho pela paisagem da Nova Zelândia, em homenagem à autora):

 “De repente, pensei em uma mente viva – toda uma mente sem ficar nada absolutamente de fora. Com tudo o que se sabe, quanto ainda não se sabe? Eu costumava imaginar que conhecíamos tudo, com exceção de uma espécie de misterioso núcleo. Mas agora penso exatamente o contrário. O desconhecido é muito, muito maior do que o sabido. O conhecimento é apenas uma sombra. Isso é uma coisa terrível e terrivelmente dura de se encarar. Mas tem de ser enfrentada.”

 “Meu avô dizia que um homem poderia viajar à volta do mundo com um par de meias limpas e um bom rifle. Com setenta anos, ele partiu para a Inglaterra assim equipado, mas mamãe se preocupou e acrescentou um ou dois lenços. Quando ele voltou, veio sem nada. Só trouxe um regador de jardim que comprara em Londres para suas abóboras jovens.”

 “(…) Sobre os velhos mestres. O que eu sinto sobre eles (todos eles – escritores também, naturalmente) é que quanto mais se vive com eles, melhor para nosso trabalho. É quase um caso de vivermos dentro de um mundo ideal – o mundo que desejamos expressar. Você sabe o que quero dizer? Por essa razão, acho que, se me apóio em homens como Chaucer e Shakespeare e Marlowe e até Tolstói, mantenho-me muito mais próxima daquilo que quero fazer, do que se confundir as coisas, lendo uma porção de homens menores. Gostaria de fazer dos velhos mestres meu pão de cada dia – no sentido mesmo em que é usado no Pai-Nosso, – fazer deles uma espécie de alimento essencial… Todo o resto – bem – vem depois…”

“Tchecov disse muitas e muitas vezes, protestou, insistiu que ele não tinha problema nenhum. (…) Isso o aborrecia, mas ele repetia sempre a mesma coisa. Não tinha problemas. Quando se pensa nisso, qual era o problema de Chaucer e Shakespeare? O “problema” é uma invenção do século 19. O artista pousa longamente o olhar sobre a vida e diz, suavemente: ‘Então, isso é que é a vida?’ E procura expressar isso.”

 “A arte não é uma tentativa do artista de reconciliar a existência com a sua visão. É uma tentativa de criar seu próprio mundo neste mundo. O que oferece temas ao artista é a diferença em relação àquilo que aceitamos como realidade.”

 “Não esqueça que os dragões são apenas os guardiães de tesouros, e eles são combatidos por aquilo que guardam – não por eles mesmos…”

Karori

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