A arte impossível

Trecho sobre Hokusai do mesmo livro comentado no post abaixo:

 “Esse grande homem ficou magoado de sempre repetirem: ‘És apenas um pintor de pequenos formatos…’ e resolveu lançar-se no outro extremo… Seus alunos preparam-lhe um imenso chassi, grande como a fachada de um prédio de seis andares. Cobriram-no de papel. No dia da demonstração, Hokusai passeou sobre seu painel arrastando atrás de si, presos ao pescoço, sacos de arroz embebidos de nanquim… A multidão presente não compreendia nada das longas esteiras que ele assim traçava… Ele pegou também vassouras molhadas de tinta para aspergir aqui e ali o painel. Mas quando o pintor deu a ordem de erguer o quadro verticalmente – ele concebera para isso um sistema de cordas e roldanas – todos reconheceram nessa imagem gigantesca os traços de Dharma, o deus do chá, cuja lenda, aliás, é magnífica. Surpreendido pelo sono durante a prece, esse sacerdote ficou tão exasperado que arrancou seus olhos e os lançou longe… A planta que brotou onde eles caíram preserva do sono: é o chá… (…)

“Foi na casa de um príncipe que queria ter um ‘quadro’ de Hokusai. O pintor fez desenrolar um longo rolo de papel, nele traçou algumas linhas azuis, ondulantes. Depois pegou umas galinhas, molhou suas patas com tinta vermelha e deixou-as correr através do rolo de papel… E todos reconheceram o rio Tatsuta cujas águas carregam no outono as folhas púrpuras do bordo, semelhantes à pata das galinhas…”

Hokusai

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