Sobre artistas e artesãos

A exposição “Natural Natural: Paisagem e Artifício”, em cartaz no Dragão do Mar, traz uma boa oportunidade de pensar sobre a matéria-prima das artes e dos artesanatos – e o que caracteriza cada ofício, ou o faz misturar-se ao outro. Os elementos cearenses ganham novas perspectivas, e há propostas lindas, como as flores doidas ou as vitórias-régias bordadas, flutuando em cima de espelhos (na exposição, essa é uma maneira de olhar para o Cocó, o mangue ameaçado e cada vez mais desprezado por políticos & todos aqueles que não têm sensibilidade).

Ana Maria Tavares, além de curadora da mostra, também colabora com vários trabalhos – e eu, que não a conhecia, gostei demais da série “Organismo Luz”, de 1985: são quatro desenhos lindos em dinamismo, a grafite e pastel seco. “Pandanus” é outra peça de impacto, feita em parceria com artesãos: em palha de bananeira, as formas serpenteiam como arabescos pela parede.

Em outras duas salas do Dragão, não se pode deixar de ver o conjunto de obras de Nice e Estrigas. Toda uma vida de arte e cumplicidade está ali. Quem conheceu o casal e o sítio do Mondubim consegue voltar àquela familiaridade de beleza e paz. Uma coerência absoluta entre bons pensamentos e gestos: o que mais alguém pode desejar, como herança à humanidade?

Nice bordando

 

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