Trem noturno para o lugar-comum

Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Fiquei com vontade de ver Trem noturno para Lisboa por várias razões: o título (belo), o argumento (interessante) e as críticas (favoráveis) me instigaram. Mas ontem saí do cinema com a velha sensação de ter sido enganada. Tudo no filme era de uma previsibilidade e/ou de uma inverossimilhança absurdas – um verdadeiro insulto à inteligência. Os personagens, rasos e estereotipados, debatiam-se com textos cheios de clichês. O pano de fundo histórico da ditadura salazarista se transformou num trampolim para falsos heróis, criaturas romantizadas com os piores estigmas da idealização.

Mesmo que o espectador embarque na ingenuidade, ainda assim a história não se sustenta; está repleta de pseudo-reviravoltas que procuram se justificar por uma “ânsia de aventuras” gratuita. É daqueles filmes adolescentes, que parecem circular numa crise de identidade, desequilibrando-se entre as decisões que poderia tomar – e escolhendo o caminho mais fácil: o de jogar com fórmulas (desde a trilha sonora até os personagens rotulados) para que a platéia receba “mais do mesmo” e se satisfaça. Bem, pode ser que algumas pessoas até aceitem pacificamente esses chavões requentados. Para mim, eles agem como um dispositivo irritante – e com certeza vou guardar o nome desse diretor, Bille August, para passar bem longe de suas “criações” da próxima vez.

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