Leiris e a arte africana

(novas impressões sobre Paris e seus museus)

No Pompidou, desisti de tentar a exposição do Cartier-Bresson, porque uma fila de 45 minutos não é coisa saudável para uma viajante inquieta. Em compensação, o acervo permanente me extasiou durante quatro horas intensamente aproveitadas. Eu sempre me comovo com Chagall e Kandinsky, e lá estavam eles, assim como Nathalie Gontcharova (cuja pintura eu vi pela primeira vez em La Noria, no México), Alexander Calder e seus móbiles a me transportar para o Peggy Guggenheim, em Veneza… A propósito, aprendi que Calder teve a revelação de uma arte abstrata em movimento quando visitou o ateliê de Mondrian, em 1930. Desde que se obtém esta informação, percebe-se como os dois afinal são parecidíssimos, no trabalho com as cores, principalmente!

Voltando ao acervo do Beaubourg, não vi o Bresson mas pude encontrar ali o maravilhoso Kertész. Vejam como “Os óculos e o cachimbo de Mondrian” (1926) são uma esplêndida composição – que, novamente, conversa com o neoplasticismo.

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Mas talvez o aprendizado mais memorável desta visita tenha surgido com Michel Leiris. Deste autor, li apenas A idade viril, o suficiente para me colocar num alerta extremamente receptivo às obras dele. Mas eu não imaginava que sua coleção de arte africana, americana e da Oceania fosse rica a tal ponto (dizem que boa parte do acervo do Musée do Quai Branly também veio dele). Já anotei, para procurar depois, o seu Écrits sur l’art – mas por enquanto, apenas para se dimensione, e de maneira bem explícita, vejam abaixo como as esculturas africanas foram imprescindíveis para a arte moderna. A tela é de Picasso, naturalmente: um exercício muito próximo da famosa figura em Les demoiselles d’Avignon.

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Como se não bastasse toda essa riqueza, Michel Leiris ainda nos premia com palavras e reflexões. Este fragmento aparecia como comentário pertinente à obra de Giacometti – mas serve como pensamento universal, na arte e na vida. Cliquem na foto, para facilitar a leitura:

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