Fishman

A arte é uma coisa híbrida. Respira, desdobra-se por vários ambientes. Metamorfoseia-se, troca de corpo, arrisca os limites. Instaura embates.

Um dos atores é fishman: tem corpo de homem, mas não foi sempre assim – e traz membranas entre os dedos, como a personagem de André Breton, Nadja. O surrealismo se anuncia nos toques mínimos: luzes, desencontros, (im)possibilidades. Ao mesmo tempo, o cenário é poético, impressionista como uma tela de Monet. E há as bonecas russas, símbolos ambíguos de uma gestação fálica.

O outro ator também mergulha os pés na água e – sabe-se – convulsiona por dentro, igualmente: é desdobrável, mutante como cada um de nós. Não existe ser, só existe estar sendo. Humano é todo esforço de palavra, todo gesto de elevação rumo a novos planetas, novas peles. Cada abraço vira peixe e desliza, fugidio. O que eu não capturo é o que me conquista – definitivamente.

  • Parabéns ao grupo Bagaceira de Teatro, por seus 15 anos em cena! Fishman é uma comemoração para todos nós. Quem ainda não viu, corra para o teatro do Dragão do Mar, às 20h – só até o próximo domingo!

3 pensamentos sobre “Fishman

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