Semiótica do mundo

O congresso da AISV, aqui na Université de Liège, durante a semana passada, foi de uma intensidade incrível. Nunca antes me senti tão imersa num campo de estudos. Pessoas das mais diversas áreas se unificavam através da teoria, e por causa disso eu assisti a conferências de arquitetos falando da “promenade comme quête esthétique”, ouvi matemáticos dissertando sobre diagramas, aplaudi a jovem brasileira que expôs uma experiência semiótica sobre a demolição de um prédio e ouvi uma iraniana falar sobre a poesia mística persa… Mas talvez o mais impressionante tenha sido o estudo sobre os escalpos como troféus de caça, numa das principais palestras. Ou a “semiótica do estado comatoso”, apresentada por uma médica russa. Quem sabe, nessa mesma linha biológica, a exposição sobre a fitosemiose (a atividade semiótica das plantas! A fotossíntese como recurso cognitivo! – confesso que não fiquei muito convencida) ou, ainda, aquela sobre a triboluminescência dos quartzos em sua natureza indicial?

Acho, que no final, eu elegeria a palestra do pintor que – na linha de Jean Petitot – apóia-se na teoria das catástrofes para trabalhar com uma semiótica do espaço, na pintura. A proposta parte da teoria da “dobra”, segundo Deleuze (então já se vê que não é exatamente uma coisinha simples), para definir o estilo de um artista, sua “frase” pictural, sua dicção. Mesmo sem entender tudo, dá um gosto ouvir falar de coisas tão enigmáticas quanto a “catastrophe du papillon”!

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