A palavra

Diz Merleau-Ponty, num trecho de suas Conversas (1948):

“Não existe mais uma só palavra de nosso vocabulário político que não tenha servido para designar realidades completamente diferentes, ou mesmo diametralmente opostas. Liberdade, socialismo, democracia, reconstrução, renascimento, cada uma dessas palavras foi, pelo menos uma vez, reivindicada por algum dos grandes partidos existentes. (…) Estamos realmente no que Hegel chamava uma situação diplomática, isto é, uma situação em que as palavras querem dizer duas coisas (pelo menos) e em que as coisas não se deixam denominar por uma única palavra.” (pp.71-2)

Mas eu, diante dessa situação do Brasil, tenho que discordar do mestre-filósofo e dizer: aqui, cabe uma palavra com um sentido apenas, fixo, antidiplomática e antidemocrática: abominável.

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