Ao dia 12

Trecho do Robert Musil:

“(…) podemos entender tudo, porque a alma só aceita aquilo que lhe pertence; em certo sentido ela já sabe de antemão o que irá experimentar. Amantes nunca se contam novidades (…). Pois o amante nada reconhece na pessoa amada senão que esta lhe provoca de modo indescritível a atividade interior. (…) E reconhecer uma pessoa ou coisa sem a ligar a si mesmo é mais impossível ainda, pois tomar conhecimento toma algo das coisas; elas mantêm sua forma, mas parecem desabar em cinzas dentro dela, alguma coisa se evapora, sobram suas múmias.

(…)

Como pode um detalhe iluminar, onde tudo é luz? Para que as esmolas da segurança e do inequívoco, onde tudo é plenitude? E como podemos desejar algo só para nós, ainda que seja a coisa amada, se já vivenciamos que os amantes não pertencem mais a si, mas a tudo o que se aproxima deles, entrelaçados que estão pelos olhares?” (pp.594-5)

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