Fotografia no museu

Ir ao Museu da Fotografia para uma palestra e virar tema de uma imagem do Gentil Barreira – isso é o que eu chamo de bela confluência dos acasos!

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Para andar dentro do sonho

Neste sábado, fui ao Museu da Fotografia pela primeira vez. Embora não me perdoe por ter adiado tanto tempo esta visita, ainda vivi a felicidade clandestina de deixar para ver o acervo numa próxima ocasião. Hoje à tarde, o evento era a palestra da querida Izabel Gurgel, sobre Frida Kahlo – e como foi bom passar três horas inteiramente mergulhada numa inteligente conversa sobre artes, culturas, épocas!

Assim como o empenho de Leminski ao biografar personalidades, Izabel estava interessada “em como a Vida se manifesta na forma Frida” – com as múltiplas visadas que o tema permite. As reflexões passaram pela fotografia como uma “insistência na repetição”, pela perda da memória (que equivale à perda do próprio rosto), pela “elaboração estética de si”, por álbuns de família vistos após um luto, pela ficção como “uma potência de desenho interior”… até a ideia de uma Frida-palhaça, com “sua entrega radical de presença”, inclusive – ou principalmente – diante dos desconcertos, do que não se sabe.

Essa palestra foi uma situação irrepetível, tenho certeza: as digressões, as costuras temáticas diante do repertório de imagens aconteceram nesta tarde. Em outra, virão pensamentos diferentes, porque o contexto será diverso. E melhor acolhida o Museu da Fotografia não poderia ter me fornecido: é, de fato, uma caixa mágica, um dispositivo de captura. Como disse Izabel, é um lugar para andar dentro do sonho, na cidade de Fortaleza.