Reviajar – Inhotim

A presença do amigo Urik na cidade fez com que eu me transportasse à experiência que dividimos, no princípio do ano, em Inhotim. Eu estava indo sem grandes expectativas – mas me rendi ao máximo entusiasmo (com duas ou três exceções: obras ou artistas fajutos, que nunca vão me convencer). O lugar é um paraíso para a arte e a natureza, itens que para mim são indispensáveis à felicidade. O passeio pode ser feito em dois dias intensos de caminhada, com embevecimento garantido! Cataloguei muitos artistas para uma pesquisa pessoal – e eis que agora, com a proximidade das férias letivas, vem chegando o momento de organizar estas ideias. Escolho, para começar, dois temas: a obra de Yayoi Kusama e as fotografias do grupo japonês Gutai.

Narcissus Garden Inhotim, de 2009, mostra o uso compulsivo de motivos circulares, tão constante na obra de Kusama: é a recriação de uma participação clandestina que a artista fez na 33a Bienal de Veneza: 1.500 bolas espelhadas eram vendidas sob uma placa: “Seu narcisismo à venda”. Na versão “mineira”, são 500 esferas de aço inoxidável, criando um tapete cinético que flutua sobre um espelho d’água.

Já o Gutai, grupo atuante em Ashiya, Osaka, a partir de 1954, tem seu nome retirado do ideograma para “concreto”, “concretude” ou “concreção”. Esse aspecto pode levar a uma comparação do grupo com as vanguardas brasileiras concretistas, que também aproximaram arte e vida, como no caso do neoconcretismo.

Em Inhotim estão obras da primeira fase do Gutai, considerada a mais experimental. Do portfólio de Kiyoji Otsuji, as fotografias de Kazui Shiraga, Ultramoderne Dance (1957) mostram o Gutai no palco.