Lendo Stoichita

Lendo agora L’instauration du tableau para a minha pesquisa, sou levada por reflexões interessantíssimas acerca dos recursos de mise en abîme e intertextualidade na pintura. Compartilho algumas imagens com o leitor (as ideias ficam subentendidas, com o convite para a obra deste ótimo estudioso).

Conversa galante – conhecida como “A admoestação paterna” (1654), de Gerard ter Borch

Vue sur trois chambres en enfilade (1658), de Samuel van Hoogstraten

Mulher fazendo a toalete (1660), de Jan Havicksz Steen

Le réveil (1663), de Jan Steen

Faire quelque chose

“Mais, néanmoins, je crois que n’importe quel être humain peut choisir d’abord de ne pas faire de l’argent son but principal, peut choisir de ne pas ajouter, ou d’ajouter le moins possible, au bruit et à l’agitation du monde, de proteger ce qu’il dépend de lui de proteger, et de faire de son coin de monde (que ce soit un appartement dans une grande ville ou une petite maison à la campagne) un lieu le plus propre, le plus heureux, le plus sagement agencé possible.” (Marguerite Yourcenar: entretiens avec des Belges, p.179)

O vício da aula

O magistério é mesmo um vício! Por mais que esteja aproveitando muitíssimo minha estada de pesquisa, sinto uma falta enorme de estar em sala de aula, de interagir com os alunos, construir junto com eles os temas, os raciocínios. É lógico, então, que eu não poderia hesitar diante da proposta de substituir minha orientadora por ocasião de uma viagem sua. Nem mesmo o fato de que teria de falar durante duas horas em francês para uma turma de mestrado me intimidou! Eu precisava desse retorno; sentia uma falta física da situação didática, um tipo de inquietação maluca que em quase todas as férias me faz soltar, mais cedo ou mais tarde, uma frase como “Ai, como eu queria dar aula pra alguém!”

A ocasião não poderia ter sido melhor – com o fim da greve na Universidade Federal do Ceará, eu me senti “começando” o semestre junto com meus colegas, mesmo a distância. No meu caso, isso não vai virar rotina; foi uma vez perdida, e foi muito bom. Deu para matar a saudade. Mas agora voltemos à pesquisa…