A vida segundo Magritte

“L’objet de la poésie deviendrait une connaissance des secrets de l’univers qui nous permettrait d’agir sur les éléments.”

“Être surréaliste, c’est bannir de l’esprit le ‘déjà vu’ et rechercher le ‘pas encore vu’.”

“La grande force de défense, c’est l’amour qui engage les amants dans un monde enchanté fait exactament à leur mesure.”

 

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O tempo criado pelo espaço

Sobre as fotografias de Eugène Atget, seu modo de sintetizar um panorama que se perde na distância:

“(…) uma rua ou viela que se estende ou se curva em direção ao passado. (…) Atget utiliza isso para criar a sensação de que a perspectiva é uma questão não só de espaço, como também de tempo: diante de seus olhos é meio-dia, mas o dia parece estar terminando no fim de cada rua.” (Geoff Dyer. O instante contínuo, p.231)

Histórias de tempo e silêncio

Acabo de assistir ao Histórias que só existem quando lembradas (Brasil, 2011), da diretora Julia Murat. Estava mesmo precisando de um filme assim, lento, como uma coleção de cromos expostos, dando tempo a que a gente reflita – e contemple. Cada vez mais me cansam os ritmos dos filmes de ação, e é quase uma heresia a forma como consumimos – de maneira tão descartável e rápida – essa arte, que é uma das mais demoradas a se realizar. Pois Histórias que só existem… entra para a minha lista (assim como O piano, assim como Lavoura arcaica) de películas que merecem ser revistas, sempre. Um enredo monótono, dirão alguns – mas o conteúdo se apreende na primeira sessão; as seguintes valem pela beleza (que é o que resiste). Eis aí: um excelente trabalho brasileiro, sobre o tempo e o silêncio.

Aprender

“Quien dice aprendizaje dice permanencia. El objeto ha adquirido esta permanencia desde el momento en que su existencia cesa de estar sometida a la presencia de una estimulación física. Esta permanencia en el tiempo es, por lo demás, sólo un aspecto particular de un fenómeno más general, que es la extracción o la atribución de invariantes. Incluso se ha hablado de la ‘sed de invariancia del sistema nervioso central’ (Wyszecki y Stiles, 1967).” In: Groupe µ. Tratado del signo visual – para una retórica de la imagen., p.69

Instituto do Mundo Árabe

De volta (pela memória e por um caderninho de anotações) ao Instituto do Mundo Árabe, em Paris… Listo o que vi por lá:

– o Corão em rolo, com valor de amuleto, criptografado em ghubâr (que significa “poeira”), um tipo de escrita minúscula

– estilos de escrita islâmica (árabe): – naskhî (fina, cursiva) ou coufique (escrita angular, utilizada nos primeiros tempos)

– vasos com esqueletos de serpentes, em testemunho da memória do herói sumério Gilgamesh

– um exemplar de yad – “mão de leitura”, em hebreu, que permite ler a Torah sem tocá-la

– uma imagem da deusa Al-Lât. Mencionada no Corão, no início era venerada sob a forma de uma rocha branca de aparência cúbica.

– bolsas e selas tuaregues – o exotismo do deserto

– palanquins de beduínos da Jordânia

– imagem de Ishtar – a deusa da guerra e do amor (associada ao lápis-lazúli, pedra afegã).

– fotos e objetos da expedição de André Parrot ao santuário de Mari

– coletes cerimoniais otomanos, roupas de sultão (Kadife), braceletes, diademas, punhais marroquinos, túnicas da Tunísia

– a lâmpada de Aladim.

Uma brincadeira fotográfica, alguns anos atrás.

Uma brincadeira fotográfica, alguns anos atrás.

Ser ou estar

(De um antigo caderno de anotações)

 Em quais línguas ser e estar são verbos distintos? Ser vem de “sedere”, que significa “estar sentado”: postura meditativa por excelência. Quem “é” manifesta sua essência, de “essere”. “Stare” significa ficar parado. Em língua portuguesa, o verbo ser no passado transforma-se no verbo “ir”: Eu fui – sinal de que só é possível “ser” no presente, no instante de agora? Sentados, parados, meditativos, “somos” plenamente.