Manter a cena

“De repente a janela para a qual estava olhando se tornou branca em virtude de alguma coisa clara por trás. Afinal, então, alguém tinha entrado na sala de estar; alguém estava sentado na cadeira. (…) quem quer que fosse continuou lá dentro; por um golpe de sorte, tinha se acomodado, de maneira a lançar uma sombra de forma irregularmente triangular sobre o degrau. Isso alterava um pouco a composição do quadro. Era interessante. Podia ser útil. (…) Devíamos continuar a olhar sem relaxar por um segundo a intensidade da emoção, a determinação de não se deixar desencorajar, não se deixar ludibriar. Devíamos manter a cena presa – assim – num torno, não deixando que nada viesse estragá-la. Precisávamos, pensou, molhando o pincel deliberadamente, nos colocar na dimensão da experiência cotidiana, sentir simplesmente que isto é uma cadeira, que isto é uma mesa, e, contudo, ao mesmo tempo: É um milagre, é um êxtase.”

(Virginia Woolf. Ao farol)

Anúncios

Depois do baile verde

Eu tinha doze anos quando um livro transtornou minha vida. Li o conto num volume didático, e não sabia que era um conto, achava que a história continuava, e então precisava ler mais, ler o resto daquela história sobre Tatisa e seu pai, seu dilema no carnaval, enquanto preparava uma fantasia verde. Fui atrás do título – lembro até agora a forma como deitei na rede, pronta para a felicidade clandestina que depois entenderia através de Clarice, mas naquele momento era Lygia, Lygia Fagundes Telles que eu conhecia pelo primeiro livro que comprei por minha escolha.

Durante toda a infância, eu tinha sido uma privilegiada, com a farta biblioteca de pais professores e uma irmã também voraz leitora. Deram-me Ou isto ou aquilo, da Cecília Meireles, fábulas e mitos clássicos, O urso com música na barriga, do Érico Veríssimo, A vida íntima de Laura, da Lispector, Histórias da velha Totônia, do José Lins do Rêgo, e o que mais? Os títulos de Orígenes Lessa, de Monteiro Lobato (mas esse último nunca me encantou de fato), muitas e muitas revistas em quadrinho, os livros da coleção Vagalume (todos), a série juvenil d’A Inspetora, criada por Ganymédes José sob o nome Santos de Oliveira, a coleção Cachorrinho Samba, da Maria José Dupré… Um repertório de prazer e aprendizado invejável, sim. Mas nada – antes de Antes do baile verde – tinha sido tão decisivo e fulminante.

Entrei na literatura adulta com este livro. E quis ser escritora porque, quem sabe? poderia, manipulando as palavras, alcançar o tipo de sensação que experimentava ao longo daquelas páginas. A impressão de ser arrebatada, que tenho igualmente diante de certos quadros, fotografias, espetáculos, paisagens… Mas aos 12 anos, foi a experiência inaugural – e não sabia bem o que era aquilo, o êxtase que continuo falhando em descrever, embora hoje o reconheça perfeitamente e saiba que por causa dessa sensação fui e serei capaz de realizar longas viagens apenas para ver uma pintura num museu.

A história de Tatisa não continuava. Mas junto com “Natal na barca”, “A ceia” e “Venha ver o pôr do sol”, o conto me ensinou a beleza de suspender um relato para deixá-lo existindo na mente, muito mais vibrante do que se ali houvesse um final arrumadinho, pacificador. Os fragmentos e interrupções podiam ser mais significativos que uma estrutura ordenada: aprendi isso violentamente com As horas nuas, o livro seguinte de Lygia que busquei.

E quem era a pessoa que tanto me ensinava e levava por variados caminhos e reflexões? Fui achando informações sobre a autora: entrevistas, depoimentos, notícias esparsas. Ao longo das décadas – enquanto vários outros textos e estéticas passavam pela minha curiosidade –, mantive o interesse, construí uma familiaridade que fez com que, em 2013, eu visitasse São Paulo em grande parte guiada por esses vínculos.

Comecei o itinerário pelo cemitério da Consolação, onde Álvares de Azevedo transitava (e talvez ali ainda passe, como fantasma). O mapa indicou os locais em que Mário e Oswald de Andrade, Lobato, Tarsila do Amaral e Paulo Emílio Salles Gomes foram enterrados. Este último, cineasta, foi o grande companheiro de Lygia Fagundes Telles.

Em homenagem a ela, visitei também a Faculdade de Direito do Largo São Francisco – a San Fran. Na praça, conforme os relatos da escritora, notei a placa comemorativa ao Álvares de Azevedo, mas com a cabeça trocada pela de outro romântico, Fagundes Varela. E, como as nuvens conspiram a favor, quando saía da Catedral, meio estonteada com as torres longuíssimas, encontrei a sede da OAB que traz o nome de Goffredo Telles, o primeiro marido de Lygia…

Em outro mês daquele ano eu tornaria à cidade para ver uma palestra sua, conhecê-la enfim. Antes de posarmos para uma desejada foto, ela me disse que Clarice Lispector sempre lhe recomendava fazer cara séria: “Escritora não pode sorrir, tem que ser misteriosa”. Obviamente, nós duas fomos clicadas com imensos sorrisos – eu, por felicidade; ela, talvez por rebeldia.

Pois agora, em homenagem aos seus 95 anos, sou convidada para colaborar com um ensaio no dossiê temático da Passages de Paris, Revue Scientifique de l’Association des Chercheurs et Etudiants Brésiliens en France. Não sei como o organizador, Nilton Resende, adivinhou que eu não só admirava, mas também desenvolvia em silêncio pesquisa sobre os contos de Lygia. Para falar a verdade, prefiro nem descobrir os caminhos explícitos: quero somente aproveitar o percurso. E o meu texto significa um gesto de gratidão – porque os livros de Lygia Fagundes Telles, que fui adquirindo e conhecendo todos, são um refúgio dentro da biblioteca que construí. Esse é o lugar para onde sempre volto. É onde tudo começou para mim.

Tércia Montenegro (texto para a coluna Tudo é Narrativa. Pode ser lido também aqui)

Casa e Caramelo

Duas autoras hispanofalantes que recentemente li – por indicação da amiga Inês Cardoso – voltaram a me despertar para a narrativa breve. Samanta Schweblin, argentina, e Andrea Jeftanovic, chilena, alcançam o melhor do manejo contístico. Da primeira, Siete casas vacías (2015) é um volume perturbador, unificado em suas histórias pelo tema da vergonha causada pela família. Comportamentos insanos ou hábitos inexplicáveis levam a intervenções da polícia ou à chegada de ambulâncias, como uma tentativa de restabelecer a ordem – e quase sempre é uma personagem secundária quem narra: aquela que sofre as consequências dos protagonistas problemáticos.

Há também situações que envolvem vizinhos, na similar condição de um universo íntimo e inquietante em que algo sai do normal. A perda da memória, a demência, a dor – tudo leva à ideia de que, ao contrário do que pretendia Sartre, o inferno não são os outros; o inferno somos nós mesmos, em conflito permanente. Atos desvairados, cometidos por figuras avulsas pela cidade: os contos de Schweblin tratam de solidão e do enigma das personalidades. Comparada a Andrea Jeftanovic, notamos que de fato ela é mais veloz, mais econômica (e talvez mais profunda, por “deixar o entendimento para o leitor”, conforme ressalta numa entrevista disponível na internet).

Os textos de Jeftanovic podem, em compensação, atingir um maior grau poético, mas nem por isso chegam todos a ser convincentes. O tema de familiares complicados, envolvidos em jogos de perversão, igualmente cruza o seu No aceptes caramelos de extraños (2011) – e assim encontramos casais que, juntos há 30 anos, precisam fingir que são estranhos para que o desejo físico lhes ressurja… porque o muito conhecido aborrece, repugna – mas o mistério em geral inspira respeito. Há um erotismo de gestos elásticos e complexos, envolvendo vizinhos com seus segredos sexuais, sua cumplicidade incomunicável.

Se Schweblin é uma autora visual (por herança de sua formação em cinema), Jeftanovic é uma escritora de texturas. Ela claramente não se inibe diante de associações plásticas. Cria efeitos sinestésicos, arrisca elos que – mesmo quando escorregam num certo exagero expressionista – são admiráveis pela ousadia. O conto que dá título ao volume, por exemplo, trata do desaparecimento de uma garota de onze anos, com o consequente desmembramento da cidade criado pelas buscas da mãe. Num belo trecho à página 111, conferimos: “Salir andando, por inseguridad y por vacío de la voluntad, como si la caminata fuera la ultima experiencia que puedo ofrendar al paisaje de ruinas por donde te mueves, sin fuerzas para montar mi ventana fuera del anonimato”.

Os caramelos são a rota da fuga, do desabrigo – são as pistas que repercutem, confusas, dessa memória mítica de Grimm: migalhas de pão sumidas, no caminho que leva à casa da Bruxa. Mas o local da maldade pode ser bem ali, junto aos próprios parentes. Um dos melhores textos do livro é “Árvore genealógica”, que trata da sedução do pai pela própria filha. Censurado em antologias da Alemanha e dos EUA, onde se considerou que fazia a “apologia da pedofilia” e do incesto, penso se no Brasil de hoje esse conto também não seria motivo para levantar escândalos… A arte, enquanto espaço para a liberdade e a experimentação moral, conforme Jeftanovic, vem sendo cada vez mais vigiada por aqui.

Mas, pelo gosto dos censores, dos fiscais de “situações anormais”, os contos de Schweblin também deveriam ser varridos. Cenas vexatórias ou desagradáveis devem ser escondidas sob a pátina de bons modos, boas intenções? O conto “Mis padres y mis hijos” questiona exatamente tais fronteiras. Quando um casal de idosos, por um ato de demência (ou não) começa a se divertir num estado naturista e arrasta para essa celebração os dois netos pequenos, a polícia – junto com os adultos “responsáveis” – é incapaz de ver uma ingenuidade nesses gestos. O final do texto traz um riso implícito (que talvez ainda seja a melhor arma contra as exigências sociais):

“En ese momento me vuelvo hacia la casa. Los veo, ahí están los cuatro: a espaldas de Charly, más allá del jardín delatero, mis padres y mis hijos, desnudos y empapados detrás del ventanal del living. Mi madre restriega sus tetas contra el vidrio y Lina la imita mirándola con fascinación. Gritan de alegría, pero no se los escucha. Simón las imita a ambas con los cachetes del culo. Alguien me arranca la malla de la mano y escucho a Marga putear al policía. El radio hace ruído. Gritan a la central dos veces las palavras ‘adultos y menores’, una vez ‘secuestro’, tres veces ‘desnudos’, mientras mi exmujer golpea con los puños el asiento trasero del conductor. Así que me digo a mí mismo ‘no abras la boca’, ‘no digas ni mu’, porque veo a mi padre mirar hacia acá: su torso viejo y dorado por el sol, su sexo flojo entre las piernas. Sonríe triunfal y parece reconocerme. Abraza a mi madre y a mis hijos, despacio, calidamente, sin despregar a nadie del vidrio”. (pp.37-8)

Tércia Montenegro (texto publicado na coluna Tudo é Narrativa, do jornal Rascunho)

Varo, essa alquimista

Não é raro que artistas se sintam atraídos pelo mágico. Talvez o próprio processo de criar ainda conserve sua aura de mistério – malgrado o que afirmam certos críticos ou softwares. Caso contrário, se o encanto foi mesmo descartado para esta e as próximas gerações, consolemo-nos vendo o que se fazia tempos atrás. Podemos pensar em Artaud e seu teatro ritual, assimilado a uma cura xamânica, ou então lembraremos Rimbaud e a cabala, Borges e suas ligações com o ocultismo, Jodorowski ou Mutarelli e as práticas com o tarô… Muitos exemplos seriam apropriados – mas, como sempre tenho grande interesse no México, aproveito-me do tema.

Remedios Varo, embora nascida na Espanha, encontrou ali a sua morada e refúgio. Dizia que sua pintura, misteriosíssima e cheia de fabulações cosmogônicas, poderia ter sido criada em qualquer lugar – porém, duvidemos. O México, conforme bem assinalava André Breton, é um “lugar surrealista por excelência”.

Sua chegada ao país em 1941 foi reflexo da política de Lázaro Cárdenas, que na ocasião defendia o Direito de Asilo e se posicionava contrariamente às violações de liberdade praticadas tanto pelo imperialismo nazista quanto pelo franquismo. Por causa dessa atitude, uma importante corrente de refugiados – dentre os quais estavam grandes nomes da intelectualidade europeia – foram se encontrar no exílio. Surrealistas como Leonora Carrington, Wolfgang Paalen, Alice Rahon, Kati e José Horna, Benjamin Péret, César Moro e vários outros assim conviveram. A efervescência entre os estrangeiros fez com que eles se encastelassem numa espécie de gueto convivial – em que havia inclusive um combate aos “três emes”: Mexicanidade, Machismo e Muralismo, considerados muito poderosos na arte nativa.

Ao lado de Leonora especialmente, Remedios fez parcerias artísticas, como a elaboração de uma peça de teatro “irrepresentável”, devido à complexidade do cenário, ao número de personagens e sua peculiar caracterização. Mas as próprias autoras mostraram-se cientes disso, ao afirmar no início: “Esta obra foi feita somente para divertimento dos atores. O público é mero acidente”. Fragmentos da peça – que, ao que parece, foi feita ao modo surrealista do cadavre exquis, em que cada autora escrevia uma parte ignorando totalmente o que a outra escreveria – podem ser vistos no livro Cartas, sueños y otros textos de Remedios Varo, publicado pelas Ediciones Era.

Com Leonora, Remedios também preparava receitas enigmáticas, feitas para curar a insônia ou produzir sonhos eróticos. Ambas frequentavam livrarias ocultistas, o que sem dúvida contribuiu para a construção do universo mutante, misterioso e quase fantasmagórico de vários de seus quadros.

Entretanto, a sua principal postura foi a de criação solitária, concentrada na disciplina e jamais na vaidade de um possível aplauso. Em carta destinada ao primeiro marido, Gerardo Lizarraga, ela inclusive comentava: “Me custa muito entender a importância que parece ter para ti o reconhecimento do teu talento. Eu pensava que para um criador o importante seria criar, e o futuro de sua obra seria uma questão secundária, e fama, admiração, curiosidade das pessoas etc muito mais consequências inevitáveis que coisas desejadas”.

Para Remedios Varo, realizar a Grande Obra era o que lhe permitia conhecer e conhecer-se. Numa espécie de concepção transcendental, o próprio processo estético se tornava um fazer mágico. Ela pintou perseguidores da sabedoria interior, como um taoísta em Ermitão (1955), um escalador espiritual em Ascensão ao monte análogo (1960) e um peregrino descalço cruzando o deserto em Caminho árido (1962).

No livro de Masayo Nonaka sobre a pintora, ressalta-se a raiz hispânica desses ritos – vindos de sábios influenciados pelo Islã, “astrólogos e alquimistas que adquiriram a sabedoria mística ao estudar a natureza e observar os planetas. Eram versados em geometria, matemáticas e teoria musical, cujos princípios estavam baseados na harmonia. O universo em si era harmonia. Varo se inspira nas sensibilidades místicas de sua herança espanhola”.

Sempre fascinada por eclipses, forças telúricas e zodiacais, Varo desenvolve um ponto específico de sua iconografia através do movimento. Muitas de suas figuras são viajantes, movem-se por meio de complicados aparatos mecânicos ou máquinas bizarras com polias, asas ou rodas; são deslocadas pelos astros ou pelas águas, sofrem traslados através de capilaridades ou quebras gravitacionais. Porém, como ressalta José Lucas, no artigo “Remedios Varo: el viaje interior”, este movimento é na verdade interior, cíclico, metafórico.

Novamente aqui, vemos que o autoconhecimento era o que impulsionava a artista. Mas engana-se quem imagina que essa busca foi severa, reflexo da implacável educação religiosa que Varo recebeu na infância. O seu humor está presente em diversas telas, como por exemplo nas invenções fantásticas de Vampiros vegetarianos (1962), de Banqueiros em ação (1962) e Locomoção capilar (1959). Além disso, as experiências surrealistas lhe asseguraram uma mirada risível sobre os comportamentos. Ela costumava lançar-se ao que denominava experimento “psico-humorístico”, que consistia no envio de cartas para desconhecidos, cheias de confissões disparatadas ou convites misteriosos. Conforme testemunhou Leonora Carrington, “Nunca chega uma resposta. As pessoas não têm tempo para nada realmente interessante”.

Outros que conviveram com ela – como foi também o caso de Octavio Paz – costumavam destacar a sua capacidade de ironizar qualquer tema, inclusive os que lhe eram mais sagrados. É o que vemos Varo fazer, numa de suas cartas, quando escreve (sob pseudônimo) a respeito de pintura – e chega a extremos cômicos com ímpetos que deve ter conhecido na prática:

“A coisa começou aproximadamente há seis meses. Eu pintava com entusiasmo um quadro onde se via um amável prado, com carneiros e vacas passeando serenamente. Confesso que me sentia satisfeito com a obra, mas aqui de repente uma força irresistível me impeliu a pintar, sobre o lombo de cada carneiro, uma pequena escada, em cujo extremo superior se encontrava uma imagem da minha vizinha da frente; sobre as vacas me via obrigado a colocar, não sem angústia, uns lenços bem pregados. Poderá você imaginar a minha surpresa e desolação. Escondi este quadro, começando outros, mas me via sempre instado a introduzir elementos estranhos neles, até que chegou um momento em que, tendo derramado por acaso certa quantidade de molho de tomate sobre minha calça, achei a mancha tão extremamente significativa e emocionante, que rapidamente cortei o pedaço de tecido e o emoldurei. Eu me vi obrigado a levar, a partir do momento em que pintei o primeiro quadro que lhe mencionei, uma vida quase clandestina, temendo que as pessoas me descubram e me façam examinar por um alienista.”

Em 1986, cerca de vinte anos após sua morte, Remedios Varo integrou a exposição Arte e Alquimia, na Bienal de Veneza. E hoje, três décadas depois, ela continua ensinando mistérios – de força ancestral, rito ou riso – a quem quer que seja. Basta que vejamos quadros como Bordando o manto terrestre (1961), Criação das aves (1957) ou Presença inquietante (1959), dentre tantos mais.

Tércia Montenegro (texto da coluna Tudo é Narrativa, publicado no jornal literário curitibano Rascunho)

Turismo no Design

Através da querida ex-aluna Andressa Silveira, soube que o meu Turismo para cegos motivou uma experiência na disciplina de Design Gráfico Aplicado à Publicidade no curso de Publicidade e Propaganda da UFC. O padrão foi criado pelo estudante Patrick Santiago, a partir da relação que a personagem Laila constrói, entre linguagem e formas. O diálogo com a capa original e com experimentos estilísticos gerou uma proposta linda e harmoniosa, que tenho a alegria de partilhar com vocês:

graficzny.com.pl