Turismo na Biblioteca Nacional

Amigos, compartilho o convite para a cerimônia da Biblioteca Nacional neste dia 30/11, às 18h, que vai conferir o prêmio Machado de Assis ao meu romance Turismo para cegos. A alegria só seria maior se eu não estivesse fora do país e pudesse me fazer presente, ao lado da minha querida agente literária Lucia Riff e do editor André Conti, da Companhia das Letras. Continuo na Bélgica por motivos profissionais – mas isso não impede que a emoção viaje, de forma que… Rio de Janeiro, já cheguei!

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O Portugal de Pedrosa

Vida de pesquisadora na Bélgica é assim: a gente passa o dia às voltas com leituras teóricas e depois, para relaxar, basta entrar de novo na biblioteca, rumo à farta seção das histórias em quadrinho! Desde que estou em Liège, já perdi a conta de quantos volumes de bande dessinée emprestei dos Chiroux – e a cada visita deixo sempre vários exemplares cobiçáveis para a ocasião seguinte. Não somente os quadrinhos me divertem, fazem aquela boa varredura em todo o peso mental e servem muitíssimo para melhorar o meu francês familier – mas principalmente, eles me dão o lado artístico do traço, da cor, da composição que tantas vezes exibe soluções engenhosas!

Nesta semana, eu me lembrei do Miquelanxo Prado, um galego que me conquistou pelo seu Quotidiano delirante, muitos anos atrás. Busquei algo dele nos Chiroux, mas encontrei apenas o seu Tangências (aqui traduzido como Venin de femmes), que já me parecia repetitivo e melancólico. Entretanto, devido a essa procura, e graças às leis alfabéticas, Prado me fez topar com Pedrosa, no seu projeto gigante, intitulado Portugal. Ora, como eu estava especialmente faminta por referências ao Brasil (ou a países que se misturaram de maneira tão forte com ele), é claro que levei a novidade para casa. E não larguei. Cyrill Pedrosa, francês filho de portugueses, põe fortes doses autobiográficas no seu álbum – a ponto de por muitas páginas irritar, pela atitude blasée do seu alter ego. Mas o incrível realismo dos diálogos, dos vícios e trejeitos das pessoas, é contrabalançado pelo desenho caricaturesco, que salva toda a história e lhe dá leveza e sentido. Poucos quadrinistas que conheço conseguem tamanha harmonia ao lidar com ingredientes opostos! Portanto, palmas para Pedrosa – e seguirei agora querendo mais da sua obra.

Pedrosa

Oh, Ostende!

“Uma vida longe do mar é possível, mas não faz sentido” – foi o que me disse a amiga Ute, parafraseando um comediante alemão. E, como em nós duas existia essa carência de oceanos, decidimos nos encontrar na praia belga de Ostende. Dividimos a saudade de Fortaleza numa paisagem que, para mim, teve um efeito absolutamente paradoxal: quando antes eu pensaria em encontrar pegadas na areia enchendo-se de… neve? Mas o passeio não foi apenas um espetáculo natural; além da diversidade climática, que nos presenteou com granizo, vento, chuva e um pouquinho de sol, também pudemos conhecer a casa em que viveu o pintor James Ensor e o Mu.Zee, com as obras de León Spilliaert. Melhor do que isso, só a alegria de encontrar um arco-íris!

Ostende

Literatura brasileira na Bélgica

Amigos,

Hoje participei de um evento lindo em torno da antologia Pessoa, em sua edição especial intitulada Littérature brésilienne contemporaine. Esta coletânea foi lançada no último Salão de Paris e, agora, chega também à Bélgica. O encontro foi mediado pelo prof. Leonardo Tonus, da Sorbonne, na Maison du Brésil.

Em tempo: a revista Pessoa, em seu número francês impresso, pode ser adquirida através do contato revistapessoa@revistapessoa.com

A versão digital está sendo comercializada pela Amazon.

 

Ser estrangeira

“Le sentiment d’étrangeté de la rencontre des autres (…) présente l’immense intérêt de nous renoyer à l’étrangeté de la nôtre, de nous décentrer par rapport à nos habitudes. Mais cette rencontre qui nous rend autre du fait d’être confronté aux autres ne s’arrête pas à ce contraste ‘curieux’ des étrangetés. Le décentrement nous ouvre de nouvelles perspectives: celles de retrouver, dans notre culture, de nouvelles manières de nous définir, celles de reconstruire ensemble les possibilités de l’universel.” (DESPRET, V. “Topiques émotionnels: des régions de l’âme à celles de la terre”. In: Questions régionales et citoyenneté européenne. ULg, 2000, p.206)