Para amar Fortaleza (II)

A Bienal Internacional do Livro do Ceará me trouxe pelo menos três inesquecíveis momentos, e um deles sem dúvida foi o do lançamento do Dicionário amoroso de Fortaleza, que em breve estará nas livrarias da cidade e também poderá ser encontrado no site da editora Casarão do Verbo.

Agora, quando a poeira baixar, eu juro que farei postagens sobre a Feira de Guadalajara – mas por enquanto ainda continuo com o Dicionário, lambendo a cria antes que ela ganhe o mundo.

Com o ilustrador Klévisson Viana.

Com o ilustrador Klévisson Viana.

Dicionário amoroso de Fortaleza

Queridos amigos, quero convidá-los para o lançamento do meu Dicionário amoroso de Fortaleza, editado pela Casarão do Verbo e com ilustrações do Klévisson Viana. O evento acontecerá no Café Literário da Bienal do Livro do Ceará, no próximo sábado, dia 13 de dezembro, às 17h30. Espero vocês lá! E logo mais, quem tiver um tempinho nesta tarde, pode conferir a mesa redonda sobre Moreira Campos, comigo e com o prof. Diatahy Bezerra de Menezes, sob mediação do Carlos Vazconcelos: às 17h, no Mezanino 2 do Centro de Eventos. Acabei de voltar do México, então é provável que fale das convergências entre Moreira Campos e Juan Rulfo…

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A garota do cartaz

Hoje, saindo da Biblioteca do Centro de Humanidades, tive a incrível surpresa de encontrar uma foto de minha mãe no cartaz-convite para o Festival UFC de Cultura. Ela, que também foi aluna do curso de Letras, aparece em plena aula de desenho nos jardins da Reitoria. Claro que imediatamente fui atrás da fotografia original, que gentilmente me foi cedida, digitalizada do arquivo-memorial da universidade – e aqui está ela, com o mesmo sorriso de sempre. A garota mais bela do cartaz.

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Por uma coincidência de datas, durante a época do Festival eu estarei participando da Feria del Libro de Guadalajara e não vou poder acompanhar a programação – mas suspiro só de pensar no tanto de coisa boa que vai acontecer. Confiram o site do evento clicando aqui.

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Para rir com Proust

Não é a primeira vez que eu posto, aqui, uma passagem engraçada do Em busca do tempo perdido – e provavelmente não será a última, visto que ainda me faltam dois volumes para completar essa obra-prima. Cada vez mais me convenço de que Proust alcança seu mérito não somente pelo afamado fôlego, ou pela sensação envolvente que os leitores temos, de folhear um álbum da aristocracia francesa para nos determos numa e noutra personagem, e então ouvir sua história, deliciosamente recheada de ironias ou descrições mordazes. Diante disso, a tal madeleine já seria um ínfimo bolinho na mão de críticos literários que se contentam com petiscos. Afinal, o recurso da memória involuntária parece um detalhe, diante desse esbanjamento ágil, que Proust exibia no território da comicidade. Confiram um exemplo, se duvidam:

“Esse rapaz rubro, de feições rudes, era exatamente como se tivesse um tomate no lugar da cabeça. Um tomate exatamente igual servia de cabeça a seu irmão gêmeo. Para o contemplador desinteressado, há muito de belo nessas semelhanças perfeitas de dois gêmeos, que a natureza, como se houvesse momentaneamente industrializado, parece produzir em série. Infelizmente, o ponto de vista do sr. Nissim Bernard era diferente, e essa parecença era exterior apenas. O tomate n° 2 se comprazia freneticamente em fazer com exclusividade as delícias das damas, e o tomate n° 1 não detestava condescender aos gostos de certos senhores. Ora, cada vez que, sacudido, assim como que por um reflexo, pela lembrança das boas horas passadas com o tomate n° 1, o Sr. Bernard se apresentava em Às Cerejeiras, míope como era (e, aliás, a miopia não era necessária para confundi-los), o velho israelita representando o Anfritrião sem o saber, dirigia-se ao irmão gêmeo, dizendo: – Queres marcar um encontro para esta noite? – recebia logo uma surra vigorosa. (…) Por fim, aquilo acabou por aborrecê-lo de tal modo que, por associação de ideias, se enjoou dos tomates, mesmo dos comestíveis, e, se ouvia a seu lado, no Grande Hotel, um viajante encomendá-los, sussurrava-lhe: – Desculpe-me, senhor, por dirigir-me a sua pessoa sem conhecê-lo. Porém ouvi que encomendou tomates. Eles estão podres hoje. Digo-lhe isto no seu interesse, pois por mim tanto faz, nunca os como. O estrangeiro agradecia com efusão àquele vizinho filantropo e, desinteressado, chamava o garçom, fingia mudar de ideia: – Não, decididamente nada de tomates.” (Sodoma e Gomorra, pp.702-3, trad. Fernando Py)

Mariposas

Amigos, venho convidá-los para a exposição “Mariposa: obras sobre luz/luz sobre obras”, da qual estarei participando. Numa organização da Contemporarte galeria, junto com a Candela Iluminação, as peças estarão na Praça Portugal, n° 71, até dezembro – e a inauguração vai ser próxima terça-feira, às 20h.